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Instituto MID - Para a participação social das pessoas com deficiência Parte 08 - Page 8
Texto Recomendado do Mês (Junho)
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Debate para levantar as propostas de atuação

    durante o Ano Internacional das Pessoas Deficientes, instituído pela ONU, (1981)

    A cada troca de governo há uma tentativa, alguma movimentação mas nenhum resultado prático. Alguns coordenadores são bem aceitos, outros menos, a tendência agora tem sido de aceitação.
    Nem é bom falar nisso agora, vai parecer preconceito contra não deficiente, mas é um cargo bem disputado, talvez por engordar currículos e promover bons contatos profissionais.
    A bem da verdade, alguns deficientes que também fazem parte de órgãos governamentais, tornaram-se políticos profissionais usando o movimento social dos deficientes. Outras lideranças, capazes de nos representar no mundo político partidário, formaram-se naturalmente e mantém seus vínculos com o movimento, mas as circunstâncias políticas e sociais do país não permitem um desenvolvimento mais efetivo da causa dos portadores de deficiência, temos que continuar reivindicando, aprendendo a fazer pressão no momento certo com os fatos certos; principalmente aprendendo que muitas leis de nada adiantam, mal redigidas e feitas apenas com espírito demagógico e para aplacar insatisfações.

    Em 1979, o movimento procura um nome próprio e significativo. Foi então, chamado de Coalizão Pró-Federação de Entidades de Pessoas Deficientes, congregava diversas entidades da capital e do interior. Em 1980, novas discussões, e a sugestão de um novo nome, desta vez, Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes, conhecido pela sigla MDPD, pelo qual é conhecido até hoje. Realizamos um encontro e terminamos a redação da Carta Programa do Movimento (Anexo 4).

    Fui convidado pela Leila, uma militante, cega, do movimento, para fazer parte do grupo de comunicação da AIDE - Associação de Integração dos Deficientes.
    No ano de 1981, trabalhava em Santo Amaro, fazia Editoração na ECA pelo menos uma vez por semana, pois eliminei muitas matérias do curso básico e me matriculava só em uma ou duas por semestre.
    Fizemos uma abertura solene do Ano Internacional na Câmara Municipal de São Paulo com a participação das principais lideranças do movimento nacional.

    Toda semana tínhamos reuniões do MDPD, no quarto da Lourdes, para preparar as mesas redondas com os temas, e discutir assuntos gerais do movimento; como eu não andava fora da minha cadeira e da Kombi, o Romeu deixava o carro dele em casa e íamos para a reunião com minha Kombi, liberava o motorista e voltava pra casa de madrugada.
    Consegui um patrocínio com meu cunhado e fizemos um adesivo para divulgação da AIDE e do Ano Internacional. Promovemos uma mesa-redonda em conjunto com a revista Quatro Rodas e, aproveitando a experiência montamos o grupo de transportes do movimento para realizar a mesa-redonda sobre o assunto. Realizamos um concurso de filmes Super 8 na TV Cultura sobre o assunto portadores de deficiência, e também um concurso de fotografias com os Filmes Curt. O concurso de filmes foi realizado e depois resultou em palestras e trabalhos da FAAP- Faculdades Associadas Armando Alvares Penteado, com o produtor e apresentador do programa, Abrão Berman e seus alunos do curso de cinema, mas o concurso de fotografias foi mal divulgado e não apareceram trabalhos suficientes.

    Durante o ano aparecemos, eu e os colegas de coordenação, em vários programas de televisão e rádio, além de diversas matérias de jornais sobre o Ano Internacional, os problemas de integração dos deficientes e suas reivindicações de direitos
    Mas espaço mesmo nos meios de comunicação, ganhamos quando o realizador do Salão do Automóvel Antigo resolveu contratar deficientes para a recepção; recrutamos e treinamos perto de vinte deficientes, mas, como no primeiro dia a freqüência não foi a esperada houve uma tentativa de quebra de contrato, reagimos prontamente, o grupo de comunicação botou a boca no mundo. Aparecemos no Jornal Nacional por quase um minuto, mas o suficiente para que minha fala fosse reconhecida por várias pessoas da família em outros estados.
    Tenho minhas dúvidas da eficácia de uma comunicação massiva a esse ponto. Mas para o caso funcionou, pelo menos todos receberam o combinado e não trabalharam mais no evento.

    O Arylton, um colega de movimento, que é jornalista, ajudava no grupo de comunicação e dava muitas dicas do processo de edição, entrevista coletiva, produção de release; produzíamos Boletim (informativo interno) e fazíamos os contatos com os meios de comunicação. Ele, como tinha mais facilidade de locomoção e trabalhava como "frila", visitava as redações, conseguia a realização das matérias e produzia alguns dos textos, os outros de conteúdo editorial eram preparados por membros da coordenação geral. Eu ficava com alguns contatos telefônicos e com a produção gráfica do Boletim. (Anexo 5)

    Observava que alguns textos pareciam panfletos do movimento estudantil, com palavras de ordem adaptadas, mas claro, eram redigidos pelo Cândido, uma antiga liderança do movimento em 68, que ficou paraplégico numa emboscada da polícia política; ficava evidente um dos modelos de atuação empregados no movimento de deficientes.
    Foi nesse contexto que aprendi, na prática, as distorções de mensagens na edição das reportagens, os cortes na falas para TV e rádio; eu era integrante das duas partes, pois ao mesmo tempo em que dava entrevistas e era “editado”, eu produzia e editava material para o Boletim, divulgando opiniões e notícias do movimento para os membros participantes. Foi uma experiência muito rica.
    Planejamos várias mesas-redondas para as atividades do Ano Internacional, era uma forma de divulgar nossos direitos. Conseguimos realizar mesas de eliminação de barreiras arquitetônicas, trabalho, transportes e saúde e reabilitação, todas no primeiro semestre, além do churrasco para arrecadar fundos.

    Estava metido nessas atividades até a raiz dos cabelos. Era uma batalha a preparação cada mesa-redonda, conseguir microfones, alto falantes, a divulgação, além de montar a mesa junto com meu grupo, de transportes, ao mesmo tempo que ajudava as fisioterapeutas preparar a de saúde e reabilitação; contava com o amigo Arylton e meu motorista. O Romeu nos emprestou um roteiro, que adaptamos para nossas necessidades.
    No segundo semestre, realizou-se apenas a mesa de legislação, os coordenadores encarregados não conseguiram “tempo” para as outras.

    No meu trabalho, uma oportunidade. Houve uma seleção interna para o cargo de bibliotecário no hospital da Secretaria da Saúde. Nem pensei duas vezes, inscrevi-me, fui para a biblioteca da ECA e estudei tudo sobre biblioteconomia na medicina, as fontes de pesquisa, os periódico especializados os códigos de classificação, o vocabulário controlado. Passei... usando um pouco de irreverência. Aliás a mesma irreverência que usei na redação do vestibular onde a recomendação era não usar citações nem se dirigir ao examinador. Como a prova foi toda com questões dissertativas e específicas a ponto de pedir número de classificação, coisa que o profissinal não precisa saber de cor, precisa sim saber, como fazer a análise do assunto  e usar o código corretamente, respondi dirigindo-me a uma provável banca que corrigiria as questões argumentando sobre os fatos. Passei em terceiro lugar e fui chamado para a prova oral. Chegando lá percebi que conhecia a banca pelos nomes dos livros de vocabulário controlado e pelo Grupo de Bibliotecários Biomédicos sobre o qual havia lido. Fiquei em segundo lugar, e fui chamado para outra vaga que se abriu em outro Hospital da Prefeitura. Trabalhei oito anos neste Hospital Pediátrico e praticamente me especializei em biomedicina.

    Minha chefia imediata na Secretaria da Saúde era dona Julieta que acabou se tornando minha amiga e me deu algumas informações profissionais de grande valia para um inocente e idealista; ela me mostrou que muitas armadilhas são plantadas no caminho profissional. Pensava que a inveja profissional não afetava deficientes, que nada, é até pior, pois vem acompanhada de preconceito.
    Uma curiosidade nesse processo é que alguns anos mais tarde dona Julieta me contou que durante o processo de seleção foi comentado por uma pessoa da banca examinadora que “até um deficiente foi fazer a prova” e “não é bom aprovar um deficiente, eles sempre criam complicações pois depois ficam querendo carro para buscar e levar”.

    Credo em cruz! O problema do transporte existe; e há deficientes dependentes também, mas generalizar, isso sim é que é preconceito. Grandes lições fui aprendendo.
    Resolvemos transformar o movimento, até então sem registro jurídico em uma entidade. Aproveitamos os registros da AIDE, apenas mudamos o nome, fizemos uma Assembléia e alteramos os estatutos. O MDPD ganhou personalidade jurídica, institucionalizou-se.
    Comecei o ano com emprego novo, mais responsabilidade e maior segurança profissional.
    O MDPD realizou mais um churrasco para arrecadar fundos e conseguimos alugar uma sede para reuniões. Sai da coordenação e deixei de fazer os boletins também, fiquei apenas com o Grupo de Transportes e as reuniões na ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, principalmente para as normas de ônibus urbano com adaptações, fui nas primeiras e depois outras pessoas passaram a participar. Freqüentava as reuniões mensais e algumas reuniões sociais como teatro e reuniões em casa de algum participante. Haviam festas na sede do movimento quase todos os meses e o clima era de descontração, sem as discussões de reuniões plenárias.

    O primeiro Dia Nacional de Lutas preparado pelo MDPD, em 1982, foi na estação República do Metrô, para reivindicar acesso aos transportes. Houve cobertura de todos os meios de comunicação, principalmente porque acoteceu um acidente com uma participante do movimento que caiu da cadeira de rodas quando era transportada pela segurança do metrô nas escadas rolantes. (Anexo 6)
    Minha vida era muito dinâmica, durante a semana podia sair algumas vezes à noite, e mesmo sem companhia fui a cinema, teatro, shows musicais. Cursava Editoração e com o pouco que sobrava de meu salário comprava os livros que não pude comprar antes ou porque eram proibidos.
    Tirei o atraso das leituras e continuei comprando livros, era uma época de abertura e crescimento editorial, mas tinha pouco tempo para dar conta de tanta leitura.

    Claro que nessa época procurava depoimentos sobre deficientes e li, emprestado, “Feliz Ano Velho” de Marcelo Rubens Paiva  , e “Minha profissão é andar” de João Carlos Pecci , o irmão do Toquinho, cuja associação ele detestava.
    São depoimentos válidos, mas pouco tinham a ver com minha realidade, os problemas eram resolvidos pelo poder econômico e parentescos famosos.
    Na verdade, eles não militavam no movimento de deficientes, quando nós, do núcleo de deficientes da USP, abordamos o Marcelo, que era aluno da ECA, para que não se esquecesse de mencionar a causa dos deficientes, no amplo espaço dos meios de comunicação que dispunha, ele nos respondeu que não era deficiente!
    Anos mais tarde, quando o amadurecimento o pegou e a identificação já parecia estar tomando forma, Marcelo começou a falar do assunto, mas nas raras vezes em que apareceu em uma reunião mostrou-se pouco a vontade.
    Em 82, passei por uma fase de impaciência com alguns acontecimento dentro do MDPD. Primeiro a polarização partidária que se acentuava em algumas lideranças e um certo patrulhamento contra ofertas de políticos em campanha, ou mesmo ofertas sem identificação e sem comprometimento. Vinham em forma de doação por militâncias que não eram “simpáticas” à corrente partidária da coordenação no poder. Foram rechaçadas. Foi assim com um telefone para a sede que acabávamos de alugar, foi assim também com uma Kombi que poderíamos ter ganho; as pessoas que conseguiram as doações acabaram se afastando.

    Concordo que não devemos partidarizar as ações de um movimento social, mas não mesmo, seja qual for o lado; isso era claro para mim e continua até hoje em minhas ações.
    Conheci, no Movimento, a Elaine, uma moça que se locomovia em um triciclo com pedais. Muito combativa, só procurava colaborar, não tinha pretensões de liderança, trabalhava como formiguinha e realizou muitas coisas, principalmente ajudava nas longas conversas pelo telefone àqueles que precisavam de forças para vencer as adversidades da vida, não da militância. Sim, no movimento tem muito disso, pessoas que participam em busca de alento e sentido para suas vidas também. Conversando com o pai da Elaine, um prático em mecânica que fizera seu triciclo, comecei a pensar numa adaptação para que eu mesmo pudesse dirigir meu carro. Já conhecia algumas adaptações para carros e via os companheiros de movimento dirigindo e me perguntava se poderia também, só faltava resolver o tipo de adaptação e como comprar o carro.

    O MDPD por princípios de sua carta programa, sempre esta pronto para realizar denúncias contra discriminações a deficientes. Fatos importante aconteceram nesse ano, um foi o caso Paulo Sérgio; aprovado em concurso público para um cargo no estado e barrado no exame médico. O Estado de São Paulo não possuia nenhuma norma legal para o assunto. O Movimento promoveu a denúncia do caso e conseguiu uma audiência com o governador. Participei deste fato, conseguimos a legislação da Prefeitura da cidade de São Paulo sobre admissão de deficientes, o que acabou servindo de argumento nas conversas com assessores do governo do estado. O caso foi resolvido favoravelmente e acabou gerando um decreto sobre o acesso de pessoas com deficiência no serviço público. (Anexo 7)
 
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Símbolos para deficiências na trajetória inclusiva

por Romeu Kazumi Sassaki

Artigo publicado na revista Reação, São Paulo, n. 66, jan./fev. 2009.

“Com sua diversidade, os signos, símbolos, logotipos e sinais representam a expressão de nossa época, que tudo permeia e marca, e são capazes de indicar o futuro, uma vez que mantêm e conservam o passado.” – Adrian Frutiger.

Como outros segmentos da população em geral, o das pessoas com deficiência tem se utilizado também de signos, emblemas, símbolos, logotipos, logomarcas e sinais a fim de comunicar - de maneira visual, sucinta e inequívoca - certas idéias para o público. A prática da transmissão de idéias através de imagens é tão antiga quanto a história da humanidade. Esta prática necessariamente
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